Pular para o conteúdo principal

Notícias manipuladas são crime contra economia popular

Por Fernando Branquinho
Virou prática comum organismos de imprensa de grande alcance propagarem notícias falsas, ou manipuladas, para alterar o funcionamento do mercado buscando ganhos para alguns grupos ou perdas para outros. O nome disso é crime contra a economia popular, previsto na lei 1521/51, em seu artigo 3º:
“VI – provocar a alta ou baixa de preços de mercadorias, títulos públicos, valores ou salários por meio de notícias falsas, operações fictícias ou qualquer outro artifício.”
A verdadeira campanha de notícias falsas ou manipuladas com o sentido de favorecer grupos, como os banqueiros e especuladores, pela alta dos juros, ou desestimular a economia através da sistemática propaganda de maus indicadores, é crime. Quem ganha, por exemplo, quando se diz que a inflação está fora de controle e propaga que “todos os setores estão aumentando preços e indexando”, a partir da constatação de uma alta da inflação que no mês seguinte recuou? Ou usar o preço do tomate, um único gênero da cesta básica, para dizer que o governo perdeu o controle da economia?
Eis um exemplo de notícia manipuladora da economia. A economia se move por expectativas. Na segunda-feira (10/6), por exemplo, o jornal O Globo dá um show de manipulação ao publicar em destaque que o governo gastou apenas 17% do que foi programado para 2013 até o mês de abril. Esse dado é o que fará parte de toda a sua extensa capilaridade de meios de comunicação, associado à tese política de baixo PIB, de perda de credibilidade no exterior, de falta de investimentos em infraestrutura e outros elementos que fazem parte da verdadeira campanha de quebra de expectativas na economia com intuito eleitoral e promoção, em especial, do remédio de sempre: aumento dos juros, para agradar aos patrocinadores de boa parte dos seus veículos.
Direito de resposta
No próprio corpo da matéria há uma declaração do Ministério do Planejamento desmentindo o uso desse dado. Afinal, a Lei de Diretrizes Orçamentárias só foi regulamentada em abril. Pouca gente sabe que o gasto dos governos fica parado esperando a lei e que o país só começa mesmo a pagar seus investimentos a partir de abril/maio.
No início do ano tentou-se apagar o país através da veiculação de notícias alarmistas sobre falta de energia, que devem ter feito empresas mudarem suas estratégias de investimento, prejudicando a si próprias e à economia em geral. A Folha de S.Paulo chegou a falar em reuniões emergenciais do governo para discutir o iminente apagão. O Globo estampou que empresários iriam comprar geradores. No final das contas, o preço da energia baixou, não houve apagão, os níveis dos reservatórios hoje estão iguais aos do ano passado e quem acreditou nesse sensacionalismo certamente perdeu. E quem mentiu ficou impune.
Essa má-fé na desinformação de cunho político é crime. Repetida milhares de vezes, vira verdade, como fazia a propaganda nazista nas mãos de Joseph Goebbels. O resultado não é só a destruição da credibilidade de um governo, mas o solapamento das expectativas na economia, tanto pelo lado dos empresários como dos consumidores. É a manipulação de toda a cadeia produtiva com notícias falsas e manipuladas. Será que ninguém se toca para propor medidas judiciais que enquadrem, ou como propaganda política fora de hora, ou crime contra a economia popular?
O mínimo que o governo poderia fazer é exigir o direito de resposta garantindo os mesmos espaços. É ocupar espaços nos telejornais para repor a verdade. Não é censura, nem cerceamento à liberdade de expressão. Quando se chega a esse ponto de partidarização e de sabotagem econômica, o mínimo que as autoridades devem fazer é repor a verdade.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Noam Chomsky: “As pessoas já não acreditam nos fatos”

Prestes a fazer 90 anos, acaba de abandonar o MIT. Ali revolucionou a linguística moderna e se transformou na consciência crítica dos EUA. Visitamos o grande intelectual em seu novo destino, no Arizona Por JAN MARTÍNEZ AHRENS Noam Chomsky (Filadélfia, 1928) superou faz tempo as barreiras da  vaidade. Não fala de sua vida privada, não usa celular e em um tempo onde abunda o líquido e até o gasoso, ele representa o sólido. Foi detido por opor-se à Guerra do Vietnã, figurou na lista negra de Richard Nixon, apoiou a publicação dos Papéis do Pentágono e denunciou a guerra suja de Ronald Reagan. Ao longo de 60 anos, não há luta que ele não tenha travado. Defende tanto a causa curda como o combate à mudança climática. Tanto aparece em uma manifestação do Occupy Movement como apoia os imigrantes sem documentos. Preparado para o ataque.Mergulhado na agitação permanente, o jovem que nos anos cinquenta deslumbrou o mundo com a gramática gerativa e seus universais, longe de descansar sobre as glóri…

25 anos sem Chico Mendes

Por Felipe Milanez Morto em 22 de dezembro de 1988, Chico Mendes deixou um legado de intensa disputa política e é fonte de inspiração para movimentos sociais pelo mundo Chico Mendes queria viver para salvar a Amazônia Foto de Chico Mendes em sua casa, poucos meses antes de morrer. Na sua última entrevista, concedida a Edilson Martins, ele dizia que queria viver para salvar a Amazônia, pois sabia que a impunidade era o lugar comum das mortes na região Na noite de 22 de dezembro de 1988, uma semana após completar 44 anos de idade, Chico Mendes foi alvejado por um tiro de escopeta no peito, na porta de sua casa, em Xapuri, Acre, enquanto saía para tomar banho (o banheiro era externo). No interior da casa, os dois guarda costas responsáveis por cuidar da sua segurança, da polícia militar, jogavam dominó e fugiram correndo ao escutar o disparo. A tocaia foi armada pelo fazendeiro Darly Alves e executada por seu filho, Darcy, junto de um outro pistoleiro. A versão que se tornou oficial da morte…

Britânicos querem reestatizar empresas

Jornal GGN - Mais de 70% são favoráveis a nacionalização de água, eletricidade e ferrovias; centro de pesquisa desenvolve estudos para reestatização a custo zero. 

O Reino Unido foi considerado a Meca das privatizações nos anos 80, mas em 2018, os britânicos querem de volta o controle estatal de serviços essenciais. Segundo levantamento feito no Reino Unido, 83% são a favor da nacionalização do serviços de abastecimento e tratamento de água; 77% de eletricidade e gás e 76% a favor da nacionalização das linhas de transporte ferroviário. O "Estado mínimo" se mostrou uma bomba-relógio social. A reestatização de todas essas empresas, incluindo a Thames Water, responsável pelo abastecimento na Grande Londres, custaria ao governo do Reino Unido algo em torno de 170 bilhões de libras. Mas um trabalho desenvolvido pela Big Innovation Centre cria um modelo de contrato onde a Grã-Bretanha conseguiria retomar o controle das empresas sem gastar um centavo. Isso seria possível com uma no…