terça-feira, 21 de maio de 2013

Xisto pode "energizar o mundo", mas chegaria ao Brasil só em 2023

Por Paula Furlan

Os combustíveis alternativos vêm sendo amplamente debatidos como forma de promover o consumo sustentável e evitar o esgotamento de determinadas fontes. O gás de xisto é uma destas soluções. O xisto betuminoso é um tipo de rocha metamórfica fonte de combustível que, quando submetido a altas temperaturas, produz um óleo de composição semelhante à do petróleo do qual se extrai nafta, óleo combustível, gás liquefeito, óleo diesel e gasolina.
Os Estados Unidos e Brasil são os países com as maiores reservas mundiais de Xisto. A empresa brasileira Petrobrás desenvolveu o Processo Petrosix ® para produção de óleo de xisto em larga escala.
No debate 'O Xisto, a Geopolítica Energética e a Sustentabilidade', promovido pelo Conselho de Sustentabilidade da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), em São Paulo, palestrantes concordaram que o gás não convencional é uma alternativa energética viável para o Brasil, importante para garantir e ampliar a competitividade nacional frente a outros mercados e possível de ser explorado se a gestão dos riscos ambientais for eficiente.
 "Acredito que esta rocha pode energizar o mundo", disse o vice-diretor do Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo (USP), Colombo Celso Gaeta Tassinar. O recurso natural é encontrado em rochas metamórficas localizadas a partir de 1,5 mil metros de profundidade. "Quanto mais profundas as rochas, maior o potencial."
O gás de xisto - chamado de gás de folhelho ou shale gas pelos especialistas - ganhou visibilidade no País com o anúncio da realização, nos dias 30 e 31 de outubro, do primeiro leilão de blocos pelo governo federal. Por causa da técnica utilizada para sua obtenção - o fraturamento hidráulico -, logo virou alvo de polêmica: também conhecido por fracking, ele envolve a explosão de rochas sedimentares e injeção de grande quantidade de água (cerca de 90%), areia (9%) e reagentes químicos (1%).
Um dos perigos apontados por ambientalistas é de que esse material químico poderia entrar em contato com lençóis freáticos.  "As partes críticas do poço (especialmente as que passam por lençóis) são revestidas com cimento e aço. Além disso, antes de iniciar a operação, é preciso um estudo da área em questão, levantamento ambiental, domínio das técnicas, além da existência de regulação da atividade e um protocolo de segurança", afirmou Tassinar. "A agricultura tem a mesma e até maior probabilidade de contaminação da água e do solo do que o shale gas", exemplificou citando o uso de fertilizantes e agrotóxicos nas plantações.
De acordo com agências internacionais, o Brasil teria pelo menos 6,4 trilhões de m³ de reservas recuperáveis de xisto, o que o coloca na décima posição no mercado mundial. A estimativa, porém, é considerada tímida - acredita-se que o País tenha, ao lado de Estados Unidos e China, as maiores reservas do recurso no mundo.
Segundo especialistas, risco de contaminação por xisto é mínimo. Imagem | The Wall Street Journal.Segundo um estudo da Royal Society, entidade inglesa voltada para a Ciência sobre o xisto, alguns fatos foram descobertos. "Um deles é que o risco para saúde, segurança e meio ambiente podem ser geridos de forma eficaz. Outro, que a propagação das fraturas (geradas no fracking) é improvável causa de contaminação", disse.
Contudo, a produção de gás de xisto no Brasil só será viável em 2023, caso os investimentos comecem a ser feitos já. "Demorará cerca de dez anos para a produção de gás de xisto se tornar viável", disse em seminário realizado em São Paulo. "Se não tivermos investimentos agora, daqui a dez anos não teremos recursos.Dado que toda a infraestrutura tem de ser desenvolvida, espera-se que a produção brasileira esteja disponível para consumo dentro de 10 anos", informou Affonso.
A descoberta de grandes reservas potenciais de xisto nos Estados Unidos, que estuda o gás desde a década de 1990, fez com que a produção do país tivesse grande impulso a partir de 2006. O entusiasmo gerado pela alternativa não convencional provocou uma verdadeira "corrida ao xisto" pelas empresas, o que, em última instância, chegou até a causar a proibição da atividade em alguns estados norte-americanos.
"Apesar do Brasil não ter ainda nenhum poço aberto, podemos aprender com as lições dos Estados Unidos", disse Goldemberg. "Mas temos um caminho longo pela frente, como a obtenção de EIA-Rima (Estudo de Impacto Ambiental/Relatório de Impacto Ambiental) em cada Estado". Para ele, um dos pontos mais sensíveis para o projeto de exploração do gás de xisto é o relatório, pois a autorização para exploração do gás em terra passa pelos Estados e não pela União.

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