quinta-feira, 30 de maio de 2013

Livro conta a história da formação do Exército brasileiro

Por Andre Araujo
A INVENÇÃO DO EXÉRCITO BRASILEIRO - livro de Celso Castro - Jorge Zahar Editor - O livro traz a narrativa historica da formação do Exército através de de sua simbologia fundamental. Celso Castro é mestre e doutor em Antropologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, professor de Sociologia e Politica da PUC-Rio e pesquisador do CPDOC da Fundação Getulio Vargas. O livro mostra como se formou a estrutura construtiva do Exercito através de tres simbologias, o culto a Caxias, as comemorações da vitoria sobre a revolta comunista de 1935 e consolidação do Exercito desde a primeira Batalha de Guararapes e sua data vitoriosa celebrada como Dia do Exercito, 19 de Abril de cada ano, lembrando que o Exercito é mais antigo que o Pais e anterior ao Estado brasileiro.
A escola-farol da formação da oficialidade, Escola Militar do Realengo, a partir de 1944 transferida para Resende e desde então conhecida como Academia Militar de Agulhas Negras é tambem analisada pelo livro.
A obra trata da importacia crucial da Missão Militar Francesa e a introdução de ""patrons"" para cada turma, em torno do nome de comandantes historicos e a nomeaçao das unidades pelos nomes referenciais como de Antonio Sampaio, patrono da Infantaria (Regimento Sampaio, modelo da arma), de Mallet como patrona da Artilharia, outros chefes antologicos como Osorio e Andrade Neves (Regimento Andrade Neves) dando o nome e o pavilhão a unidades-simbolos.
A importancia das tres grandes escolas de formação, a do Rio, a de Porto Alegre e a de Fortaleza tambem é tratada no livro.
Os arranjos organicos em torno da concepção institucional do Exercito como construtor da nacionalidade, com uma centralidade da fugura lendaria do Duque de Caxias, morto em 1880 e a partir de 1923 erigido como patrono do Exercito, substiuindo Osorio, simbologia consolidada nos anos 30 e 40, soldada nas lutas no campo italiano e na modernização dos anos 50.
Os Exercitos, em tono o mundo, tem como cimento a simbologia e o cerimonial militar, preservado como ligamento institucional. Lembro como meu saudoso amigo, General Antonio Ferreira Marques, que particpou da campanha da Italia na Segunda Guerra, era a cada dois anos convidado para as cerimonias comemorativas da vitoria aliada que se realizavam nos Estados Unidos, no ambito estritamente militar, isso ainda na decada de 90, os americanos enviavam passagem, pagavam todas as despesas, mais de 40 anos depois do fim da guerra, trazendo para a cerimonia aliados das batalhas em que lutaram pela causa comum. O General Marques era Chefe do Estado Maior do Exercito quando esse orgão comemorou 100 anos de existencia, quando tambem foi realizados eventos para registrar a data, são momentos de grande importancia para a organização militar, não só no Brasil, é igual em todos os Exercitos, faz parte da formação e da estrutura da força.
O Brasil como Estado é uma construção do Exercito, da Casa de Bragança e da Igreja Catolica, tres instituições que são o DNA do Brasil enquanto Pais, historia que não se apaga e que explica porque o Pais é como é e como foi formado no passado, como funciona hoje e como será no futuro.

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