sexta-feira, 10 de maio de 2013

Alunos são principais agressores e também maiores vítimas da violência nas escolas

Por Raimundo de Oliveira
Pesquisa encomendada pela Apeoesp mostra que briga entre alunos é o caso mais comum, mas professores também sofrem com agressão verbal. Professores pesquisados apontaram o bullying está entre os tipos de violência ocorridos nas escolas do estado
São Paulo – Os alunos são os principais autores da violência nas escolas para 95% dos professores da rede estadual de ensino. Eles também são apontados como as vítimas mais frequentes por 83% dos docentes, segundo pesquisa realizada pelo sindicato da categoria (Apeoesp) com 1.400 professores de 167 cidades paulistas. O levantamento, divulgado hoje (9), na sede da entidade, mostra que 52% dos entrevistados relataram ter conhecimento de casos de agressão física ocorridos nas escolas onde trabalharam em 2012.
As brigas entre alunos são os casos de violência mais comuns presenciados pelos professores no ano passado, sendo apontadas por 72% dos entrevistados. As ameaças entre alunos foram testemunhadas por 57% dos professores.
A pesquisa, executada pelo instituto Data Popular entre 18 de janeiro e 5 de março, por telefone, mostra que 44% dos professores sofreram algum tipo de violência no ano passado, sendo que a maioria (39%) aponta a agressão verbal como o mais comum, seguida pelo assédio moral (10%), bullying (6%), agressão física, discriminação e furtos, todos com 5% cada.
A presidenta da Apeoesp, Maria Izabel Noronha, afirmou que o sindicato pretende repetir o levantamento a cada dois anos para acompanhar a situação da violência nas escolas paulistas e também vai desenvolver um projeto para tentar combater as principais causas do problema.
A dirigente disse que os dados revelados são preocupantes e serão repassados ao governo estadual. “Alunos, professores, pais, a sociedade toda sofre com essa situação”, observou.
De acordo com a pesquisa, as drogas são um dos principais problemas relacionados pelos professores à violência nas escolas. Para 42% dos entrevistados, a presença na sala de aula de alunos sob efeito de drogas é apontada como a principal situação de violência. O tráfico de drogas e alunos sob efeito de bebida alcoólica vêm em segundo lugar, com 29%.
A presença de gangues no ambiente escolar foi indicada por 21% dos professores que responderam a pesquisa como terceira principal situação de violência, seguida pelo porte de arma branca (15%) e porte de arma de fogo (3%).
Centro e periferia
Mais da metade dos professores (57%) entrevistados consideram violentas as escolas da rede estadual de ensino e a situação é pior nas periferias das cidades. Para 45% dos que lecionam em regiões centrais as escolas são consideradas violentas. Na periferia, o índice sobe para 63%.
Dos que lecionam em regiões centrais, 61% afirmam que há policiamento na região das escolas e este índice cai para 45% na opinião dos que atuam nas periferias.
Os professores do sexo masculino que lecionam em classes do ensino médio são as maiores vítimas. Nesse segmento, 65% afirmaram ter sofrido algum tipo de violência e entre as mulheres do grupo este índice é de 47%.
No ensino fundamental 1 (1ª a 4ª séries), a situação se inverte e 47% das mulheres relataram ter sofrido violência enquanto o índice entre os homens foi de 44%. As mulheres também são as maiores vítimas entre os que lecionam no ensino fundamental 2 (5ª a 9ª séries), com um índice de 29% contra 24% dos professores do sexo masculino.
A pesquisa também mostra que a falta de educação, de respeito e de valores foram apontados por 74% dos professores como principal causa da violência nas escolas, seguida pela desestruturação familiar (47%), drogas e álcool (15%), pobreza (12%), falta de interesse ou indisposição para estudar (11%), conflito entre alunos (6%), tráfico de drogas na região do entorno das escolas (4%), falta de participação da comunidade na escola (3%), falta de estrutura administrativa (3%), desemprego (2%) e outros fatores (15%).
Quase um terço dos professores que responderam a pesquisa (28%) apontaram o debate sobre a violência como principal medida a ser adotada para melhorar a situação. Em seguida, 18% dos entrevistados indicaram a contratação de profissionais de suporte pedagógico, como psicólogos e 16% indicaram os investimentos em cultura e lazer como solução. Para 15%, o policiamento no entorno da escola é um saída.
“A violência nas escolas tornou-se corriqueira. Falta um pouco a presença dos pais de alunos nas escolas e isso é determinante” afirma Maria Izabel. Segundo ela, também faltam professores e funcionários nas escolas.
Para a dirigente, diante dos resultados da pesquisa, a medida mais urgente para combater a violência nas escolas é o reforço no policiamento. “Nas escolas do centro da capital, que têm mais policiamento e maior presença de ronda escolar, os níveis de violência são mais baixos”, disse.
Maria Izabel também afirmou que é preciso reformular a escola pública estadual. “Tem que tornar a escola mais interessante, ou os jovens vão preferir ficar na internet, no laptop ou no celular, em vez de prestar atenção nas aulas. Aí não aprende e depois, quando é cobrado, vai pra cima do professor”, disse.

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