sábado, 18 de maio de 2013

A clonagem e o entendimento das etapas embrionárias

Por Luiz Genro

Pesquisadora diz que técnica de clonagem permitirá entender mecanismos de formação de embrião
Para Marimelia Porcionatto, pesquisadora de biologia de células-tronco neurais, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a técnica desenvolvida por pesquisadores da Universidade de Oregon que usou a clonagem para fazer células-tronco, representa um passo importante não só do ponto de vista de novas possibilidades terapêuticas, como "também contribuirá para a compreensão de mecanismos moleculares que controlam as primeiras etapas da formação de um embrião".
A professora e pesquisadora não acredita que a possibilidade de clonagem de indivíduos vivos (ou até mortos) venha a ser um problema. Para ela, o trabalho demonstra um avanço técnico muito importante e, "como tudo na ciência, a destinação que será dada a essa nova técnica deverá ser discutida, regulamentada e acompanhada pela sociedade, que tem a seu alcance diversos mecanismos de controle".
Do ponto de vista da ciência, a pesquisadora não crê que a técnica possa gerar um dilema, "mas certamente vai fazer com que discussões sobre o que é a vida; se existem limites para o que se pode fazer; o que é ético e o que é legal, enfim, discussões que - no meu entendimento, só nos enriquecem -, sejam retomadas com mais força". Já no que toca os dilemas pessoais, Marimelia diz que vai depender das convicções de cada um.
Importância
A pesquisadora explica que a transferência nuclear, que os autores da pesquisa conseguiram - e que outros colegas falharam ao longo de 15 anos - "foi demonstrar que as células da massa celular interna do embrião gerado a partir da célula reprogramada tinham características de células-tronco embrionárias". Em trabalhos anteriores, Marimelia acrescenta, os cientistas não tinham conseguido chegar ao estágio de blastocisto.
Segundo o estudo, pela primeira vez foi possível reprogramar células somáticas (que não estão envolvidas na reprodução, como as células da pele, por exemplo) em células-tronco embrionárias pela técnica de transferência nuclear.
"O que os pesquisadores fizeram foi introduzir núcleos de fibroblastos de pele humana (célula somática) em oócitos humanos doados por mulheres saudáveis", explica. A partir da introdução do núcleo de um fibroblasto em um oócito foi gerado um embrião que, após ser cultivado in vitro, atingiu o estágio de blastocisto, completa Marimelia.
O blastocisto é uma estrutura formada após as primeiras divisões do embrião. No interior dessa estrutura ficam as células que darão origem ao novo organismo que está sendo formado. Chamadas de "massa celular interna", são células-tronco embrionárias, a partir das quais todas as células do organismo serão formadas. As células-tronco embrionárias são importantes para a ciência porque são elas que dão origem a todas as células, de todos os tecidos e órgãos. 

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