Pular para o conteúdo principal

A carta de princípios do jornal A Urbe

Do A Urbe
Carta de Princípios
“Nós desejamos a liberdade e o bem-estar de todos os homens, de todos sem exceção. Queremos que cada ser humano possa se desenvolver e viver do modo mais feliz possível. E acreditamos que esta liberdade e este bem-estar não poderão ser dados por um homem ou por um partido, mas todos deverão descobrir neles mesmos suas condições, e conquistá-las.
Consideramos que somente a mais completa aplicação do princípio da solidariedade pode destruir a guerra, a opressão e a exploração, e a solidariedade só pode nascer do livre acordo, da harmonização espontânea e desejada de todos os interessados.”
1 – A Urbe é um jornal essencialmente socialista, libertário e antipartidário, não entendemos como válida a criação artificial de “lados” que gerem vencedores e vencidos; ao mesmo tempo, defendemos e valorizamos a liberdade de opinião, respeitamos a divergência de pontos de vista e promovemos o debate democrático, travado com urbanidade e gentileza;
2 – Estimulamos o uso do jornal para a divulgação de ações que primem pelos respeito aos direitos humanos em todas as dimensões de forma a não promover exclusão, deslegitimação, intolerância, preconceito ou discriminação baseados em diferenças de etnia, raça ou cor, gênero, identidade de gênero, orientação sexual, idade, nacionalidade, naturalidade, língua, costumes, credo, convicção religiosa ou filosófica, cultura, situação econômica ou funcional, posição hierárquica, grau de instrução ou condição física ou psíquica;
3 – Acreditamos que através da participação, cooperação e compartilhamento de conhecimento podemos fazer a diferença em nossas vidas, das pessoas que conosco se relacionam e no ambiente em que vivemos, e que atentando para a ética “de cada um de acordo com suas habilidades e paixões, a cada um de acordo com seus desejos e necessidades”, estaremos ajudando a criar um outro mundo possível, melhor;
4 – Não permitimos a utilização do jornal A Urbe para fazer qualquer tipo de propaganda (de produtos comerciais, de instituições privadas – sejam empresariais ou sociais – e de pessoas), excetuando-se atividades educativas e culturais que sejam gratuitas, tenham gratuidade reservada ao menos para quem não pode arcar com os custos ou permitam pagamento em sistema de escambo ou moedas complementares, de acordo com as possibilidades de quem recebe o serviço;
5 – As ferramentas, modelos e ideias para construir um brilhante futuro para a humanidade já estão entre nós. Suas peças estão fragmentadas e espalhadas, esperando um trabalho lento, porém sistemático de agregação, síntese, compreensão e divulgação, trabalho esse do qual A Urbe se propõe a fazer parte;
6 – Acreditamos que seja possível inclinar as pessoas à mudança através do exemplo. Se organizamos nossas vidas pessoais de forma a estar fazendo as coisas certas, estamos agindo como representantes da ideia de que ser correto e fazer o bem pode ser inteligente e o melhor que alguém pode fazer pelo mundo. Este jornal pretende publicar ideias exemplares, de como a simplicidade, a bondade e a solidariedade conseguem transformar uma realidade em outra, melhor;
7 – Acreditamos em tecnologias sociais como forma de divulgação, compartilhamento e apropriação de ideias para mudar o mundo em que vivemos para melhor. E neste sentido, A Urbe promoverá a construção, realizará a divulgação, fomentará o debate e chamará os leitores para a participação de toda tecnologia social que esteja par e passo com os princípios que regem o jornal.
8 – O espaço do jornal A Urbe é essencialmente aberto a toda comunidade araranguaense, mas não restrito a esta: se houver algum assunto, tema ou conteúdo que possa ser relevante à nossa comunidade, ele é bem-vindo. Assuntos globais de interesse local, bem como assuntos locais de interesse global são sempre estimulados;
9 – A Urbe é um jornal com um posicionamento político orientado à transformação social e, portanto, será apoiada e mantida por aqueles que, como nós, entenderem que podemos ser os atores de nossa próprias vidas e é válida a luta por um mundo mais justo, eqüânime, convivial, solidário, sustentável, harmônico e feliz.
10 – Acreditamos em um jornal e uma sociedade construída de baixo para cima, sem hierarquias, dominação e opressão; para que isso funcione na prática, estimulamos e acolhemos a participação de todos na construção coletiva e autogerida do jornal; queremos não somente a voz de quem está acostumado e gosta de escrever, mas também daquelas pessoas que tem a voz sufocada pela rotina do trabalho e do cotidiano; queremos entrar nas casas e ocupar as ruas, e para isso lhe convidamos a unir-se a nós: vamos juntos?
Araranguá, Primeiro de Maio de 2013.
Estes Princípios poderão ser lidos a qualquer tempo em nosso website, no endereçohttp://aurbe.net/carta-de-principios, foram aprovados por consenso pelos membros fundadores do jornal e pode ser revisto e melhorado se, futuramente, surgirem mudanças que nos direcionem para tal. O jornal não trabalha com censura, mas busca garantir que os princípios aqui estabelecidos sejam seguidos por quem deseja expressar sua opinião no A Urbe.
 # # #
“O primeiro dever do homem em sociedade he de ser util aos membros della; e cada um deve, segundo suas forças Phisicas, ou Moraes, administrar, em beneficio da mesma, os conhecimentos, ou talentos, que a natureza, a arte, ou a educação lhe prestou. O individuo, que abrange o bem geral d’uma sociedade, vem a ser o membro mais disticto della: as luzes, que elle espalba, tiram das trevas, ou da illuzão, aquelles, que a ignorancia precipitou no labyrintho da apathia, da inepcia, e do engano. Ninguem mais util pois do que aquelle que se destina mostrar, com evidencia, os acontecimentos do presente, e desenvolver as sombras do fucturo. Tal tem sido o trabalho dos redactores das folhas publicas, quando estes, munidos de uma critica saã, e de uma censura adequada, represêntam os factos do momento, as reflexoens sobre o passado, e as soldidas conjecturas sobre o fucturo…”
(Editorial da Primeira Edição d’O Correio Braziliense, o primeiro jornal do país, editado, de Londres, por Hipólito José da Costa e enviado clandestinamente ao Brasil)

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

25 anos sem Chico Mendes

Por Felipe Milanez Morto em 22 de dezembro de 1988, Chico Mendes deixou um legado de intensa disputa política e é fonte de inspiração para movimentos sociais pelo mundo Chico Mendes queria viver para salvar a Amazônia Foto de Chico Mendes em sua casa, poucos meses antes de morrer. Na sua última entrevista, concedida a Edilson Martins, ele dizia que queria viver para salvar a Amazônia, pois sabia que a impunidade era o lugar comum das mortes na região Na noite de 22 de dezembro de 1988, uma semana após completar 44 anos de idade, Chico Mendes foi alvejado por um tiro de escopeta no peito, na porta de sua casa, em Xapuri, Acre, enquanto saía para tomar banho (o banheiro era externo). No interior da casa, os dois guarda costas responsáveis por cuidar da sua segurança, da polícia militar, jogavam dominó e fugiram correndo ao escutar o disparo. A tocaia foi armada pelo fazendeiro Darly Alves e executada por seu filho, Darcy, junto de um outro pistoleiro. A versão que se tornou oficial da morte…

Noam Chomsky: “As pessoas já não acreditam nos fatos”

Prestes a fazer 90 anos, acaba de abandonar o MIT. Ali revolucionou a linguística moderna e se transformou na consciência crítica dos EUA. Visitamos o grande intelectual em seu novo destino, no Arizona Por JAN MARTÍNEZ AHRENS Noam Chomsky (Filadélfia, 1928) superou faz tempo as barreiras da  vaidade. Não fala de sua vida privada, não usa celular e em um tempo onde abunda o líquido e até o gasoso, ele representa o sólido. Foi detido por opor-se à Guerra do Vietnã, figurou na lista negra de Richard Nixon, apoiou a publicação dos Papéis do Pentágono e denunciou a guerra suja de Ronald Reagan. Ao longo de 60 anos, não há luta que ele não tenha travado. Defende tanto a causa curda como o combate à mudança climática. Tanto aparece em uma manifestação do Occupy Movement como apoia os imigrantes sem documentos. Preparado para o ataque.Mergulhado na agitação permanente, o jovem que nos anos cinquenta deslumbrou o mundo com a gramática gerativa e seus universais, longe de descansar sobre as glóri…

Britânicos querem reestatizar empresas

Jornal GGN - Mais de 70% são favoráveis a nacionalização de água, eletricidade e ferrovias; centro de pesquisa desenvolve estudos para reestatização a custo zero. 

O Reino Unido foi considerado a Meca das privatizações nos anos 80, mas em 2018, os britânicos querem de volta o controle estatal de serviços essenciais. Segundo levantamento feito no Reino Unido, 83% são a favor da nacionalização do serviços de abastecimento e tratamento de água; 77% de eletricidade e gás e 76% a favor da nacionalização das linhas de transporte ferroviário. O "Estado mínimo" se mostrou uma bomba-relógio social. A reestatização de todas essas empresas, incluindo a Thames Water, responsável pelo abastecimento na Grande Londres, custaria ao governo do Reino Unido algo em torno de 170 bilhões de libras. Mas um trabalho desenvolvido pela Big Innovation Centre cria um modelo de contrato onde a Grã-Bretanha conseguiria retomar o controle das empresas sem gastar um centavo. Isso seria possível com uma no…