terça-feira, 30 de abril de 2013

O estresse dos professores das faculdades particulares

Por Redação da Rede Brasil Atual
Nas faculdades particulares, 88% dos professores estão estressados.
Pesquisa da Unicamp realizada em instituições privadas de Campinas mostram ainda que 76% têm a vida pessoal afetada pelo trabalho e 52% tem doenças físicas e psicológicas.
São Paulo – Pesquisa inédita da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) realizada em instituições privadas de ensino superior daquela cidade revelou que 88% dos professores estão estressados; 76% têm a vida pessoal prejudicada pelo excesso de trabalho, com menos tempo para a família, os amigos e o lazer; 52% temem o desemprego e por isso muitos trabalham em mais de uma escola; e 52% têm doenças físicas e psicológicas, como depressão, síndrome de pânico, insônia e uma arritmia cardíaca que não se confirma quando investigada. E mais da metade deles manifesta problemas de voz, respiratórios e vasculares. Mesmo assim, 68% disseram que não abandonariam a profissão.
“A educação privada está sendo negociada na bolsa de valores, aberta ao capital estrangeiro. Fusões entre instituições educacionais constroem grandes conglomerados, o que reforça o crescimento de uma concepção mercadológica do ensino privado no país. Por isso, a luta do movimento sindical dos professores contra essa mercantilização. Queremos a regulamentação, o fim dessa trajetória de desnacionalização, que representa um tiro no pé”, disse ao Jornal da Unicamp a autora da pesquisa, Liliana Aparecida de Lima, que também é professora de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Campinas e diretora do Sindicato dos Professores de Campinas e Região. Em sua tese, ela contextualiza a expansão do ensino superior privado a partir da política neoliberal de Fernando Henrique Cardoso na década de 1990, com a desregulamentação do setor, a financeirização e a desnacionalização.
Conforme Liliana, o cenário de mercantilização do ensino se manifesta na precarização das condições de trabalho dos professores. “Se o empresário vê o ensino como mercadoria e o aluno como cliente, como vai tratar o professor da instituição de que é proprietário? A precariedade está na contratação de professores sem concurso e nos salários baixos mesmo com titulação. Se o professor se torna mestre ou doutor, também se torna mais caro e é substituído por um horista – há um número mínimo de pós-graduados apenas para atender às exigências do MEC. A rotatividade é enorme”, disse.
Para chegar a tais conclusões, ela enviou questionários com perguntas objetivas e discursivas para a livre manifestação dos entrevistados sobre suas vidas como trabalhadores da educação. Dos 100 enviados, 29 responderam. A maioria dos entrevistados tem em média dez anos de carreira. “Se em uma década temos tais percentuais, o que pode acontecer até a aposentadoria?", questionou.
Para a pesquisadora, o Plano Nacional de Educação (PNE), que tramita na Congresso, é a esperança de mudança desse cenário. Entre as 20 metas a serem cumpridas em dez anos, está a inclusão do ensino superior privado no Sistema Nacional de Educação. Assim, passa a ser regulamentada pelo Estado, inclusive quanto à sua expansão.
Segundo dados de 2011 do Ministério da Educação (MEC), na última década, a expansão de matrículas no ensino superior foi de 110%, sendo de 74,2% na rede privada e de 25,8% no setor público.

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