Pular para o conteúdo principal

Michael Moore critica mudança nas versões da morte de Bin Laden

"Se a intenção era matá-lo, por que não dizem?", questiona. No entanto, cineasta diz que momento é uma chance para "uma nova era"

EFE
06/05/2011 03:12

O cineasta Michael Moore disse nesta quinta-feira que a morte do líder da rede terrorista Al Qaeda, Osama bin Laden, em uma operação das forças especiais dos Estados Unidos, foi uma "execução", lamentando as celebrações que houve no país.

"Não acho que Jesus iria ao 'Marco Zero' com garrafas de champanhe, como muita gente fez no domingo" para celebrar a morte de Bin Laden, disse Moore, conhecido por documentários que fazem críticas à política de Washington como "Tiros em Columbine" e "Farenheit 9/11".

"Acho que é bom que Osama bin Laden não esteja mais vivo, mas celebrar a morte vai além dos princípios com os quais cresci em uma família católica irlandesa", acrescentou em uma entrevista à "CNN". Moore referiu-se às celebrações espontâneas surgidas no domingo, após a morte de Bin Laden ser divulgada, em Washington, em torno da Casa Branca, e em Nova York, ao redor do "Marco Zero", onde a Al Qaeda realizou o atentado contra as torres gêmeas do World Trade Center, matando cerca de três mil pessoas.

"Foi um momento emocionalmente muito forte, mas também vi como havia afetados lá, mas não o viram como um dia positivo. As pessoas que perderam os seus estavam afetados", assinalou. Para Moore, Bin Laden foi "executado" e recriminou as autoridades por não reconhecerem isso em público. "A versão mudou várias vezes em quatro dias. Se a intenção era matá-lo, por que não dizem?", questionou.

No entanto, o cineasta demonstrou otimismo com o futuro e assinalou que este pode ser um ponto de inflexão para os Estados Unidos. "É uma grande oportunidade para começar uma nova era", disse.

Moore apoiou a decisão do presidente americano, Barack Obama, de não publicar as fotografias da morte do líder da Al Qaeda, e considerou "grotesco" que as pessoas queiram vê-las. "Não quero ver. Acredito no presidente e é suficiente. Neste país temos pena de morte e não publicamos as fotos nem televisionamos a execução, e todos acreditam que a execução foi feita", disse.

Diante da reprovação do apresentador Piers Morgan, que lhe perguntou onde deixara seu ceticismo, Moore assinalou que Obama "ganhou a confiança da maioria dos americanos com suas políticas e as decisões que tomou" e que nestes dois anos em que esteve no poder "disse a verdade". "É diferente quando se anuncia que há armas de destruição em massa em um país quando há gente do serviço de inteligência que trata de dizer o contrário e o país é levado a uma guerra", disse Moore em referência à Guerra do Iraque, autorizada pelo hoje ex-presidente George W. Bush.

Quanto às promessas não cumpridas de Obama, como o fechamento do centro de detenção para suspeitos de terrorismo em Guantánamo (Cuba), assinalou que "gostaríamos que já tivesse sido feito, mas não quer dizer que não será feito".

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Preços de combustíveis: apenas uma pequena peça da destruição setorial

Por José Sérgio Gabrielli Será que o presidente Bolsonaro resolveu dar uma reviravolta na sua política privatista e voltada para o mercado, intervindo na direção da Petrobras, demitindo seu presidente, muito ligado ao Ministro Guedes e defensor de uma política de mercado para privatização acelerada e preços internacionais instantâneos na companhia? Ninguém sabe, mas que a demissão do Castello Branco não é uma coisa trivial, com certeza não é. A ação de Bolsonaro, na prática, questiona alguns princípios fundamentais da ideologia ultraneoliberal que vinha seguindo, como o respeito à governança das empresas com ações negociadas nas bolsas, a primazia do privado sobre o estatal e o abandono de intervenções governamentais em assuntos diretamente produtivos. Tirar o presidente da Petrobras, por discordar da política de preços, ameaça o programa de privatizações, pois afasta potenciais compradores de refinarias e tem um enorme efeito sobre o comportamento especulativo com as ações da Petrob...

O mundo como fábula, como perversidade e como possibilidade: Introdução geral do livro "Por uma outra globalização" de Milton Santos

Por Milton Santos Vivemos num mundo confuso e confusamente percebido. Haveria nisto um paradoxo pedindo uma explicação? De um lado, é abusivamente mencionado o extraordinário progresso das ciências e das técnicas, das quais um dos frutos são os novos materiais artificiais que autorizam a precisão e a intencionalidade. De outro lado, há, também, referência obrigatória à aceleração contemporânea e todas as vertigens que cria, a começar pela própria velocidade. Todos esses, porém, são dados de um mun­do físico fabricado pelo homem, cuja utilização, aliás, permite que o mundo se torne esse mundo confuso e confusamente percebido. Explicações mecanicistas são, todavia, insuficientes. É a maneira como, sobre essa base material, se produz a história humana que é a verdadeira responsável pela criação da torre de babel em que vive a nossa era globalizada. Quando tudo permite imaginar que se tornou possível a criação de um mundo veraz, o que é imposto aos espíritos é um mundo de fabulações, q...

Por uma mídia que ouse ser ética

Por Mariana Martins , no Observatório do Direito à Comunicação: Mais uma vez o que me motiva a sair da inércia para escrever é a nossa mídia, aquela mesma de sempre, ávida pelo lucro e cheia de vaidades. A mídia não é um ser inanimado, ela é feita de pessoas. A mídia é feita, principalmente, de jornalistas que devem receber uma formação para saber, antes de tudo, o que é notícia e o que é espetacularização . Jornalistas que devem sempre optar pela notícia. É uma pena que, em todas as tragédias, nós tenhamos péssimos exemplos da nossa imprensa. As coberturas são traumáticas. A grande maioria tenta logo de saída fazer das tragédias grandes espetáculos. Procuram por parentes, procuram por vítimas, procuram por testemunhas. Pessoas que, por tão intensamente envolvidas, podem não querer colocar mais uma vez o dedo na ferida. Pessoas que estão tendo que prestar depoimentos na polícia e assim por diante. (Esse tipo de fonte deve ser usada com muita cautela e parcimônia; eu diria que em do...