Pular para o conteúdo principal

É um texto do Michael Moore criticando a Vale no Canadá e fazendo referências ao Brasil e Terceiro Mundo

Os problemas da Vale no Canadá

Enviado por luisnassif,
24/03/2011

(Tradução livre)

Porque eu apoio o povo de Thompson, Canada – E você também deveria

By Michael Moore

Para as pessoas aqui nos EEUU, Thompson, Canada e sua luta com a gigante mineradora brasileira Vale pode parecer muito distante.

Não é.

(Não fique embaraçado se você precisa de um mapa para achar Thompson, todavia - culpe a mídia americana, que somente lhe contará sobre os canadenses, se eles tiverem alguma conexão com Justin Bieber).

Neste momento Thompson está lutando numa batalha de frente numa guerra que tem sido campeada há 30 anos – a guerra global do mundo rico na classe média. É uma guerra que o povo de Flint e todos de Michigan conhecem muito bem. É uma guerra acontecendo agora em Wisconsin. E é uma guerra onde a classe média ganhou um round no Egito. (Você provavelmente não sabia – porque a mídia americana estava muito preocupada em contar-lhe sobre Justin Bieber – que Gamal Mubarak, filho do ditador do Egito e seu escolhido sucessor, trabalhou por anos para o Bank of America.)

Eis o que está acontecendo em Thompson, e porque interessa muito:

Canada não é como os Estados Unidos - é ainda uma cidade do primeiro mundo, onde as corporações parecem existir para beneficiar o povo, não ao contrário. Eles não tem uma assistência universal de saúde – eles tem alguma coisa chamada Ato de Investimento do Canadá, que diz que as multinacionais como Vale podem somente investir nas indústrias canadenses se beneficiar todos do Canadá. Eu sei, loucura!

A mina em Thompson seguia sob a Inco, uma corporação canadense que fez paz com os trabalhadores e dividia as riquezas. Quando a Vale comprou a Inco em 2005, eles assinaram um contrato com o governo especificando o que eles deveriam fazer para beneficiar os canadenses.

Imediatamente após, Vale violou o contrato e foi para o ataque – forçando mineradores em Sudbury, Ontario, no maior golpe em sua história. E agora em Thompson eles estão tentando derrubar as operações de refino que fizeram da cidade o maior eixo da província. Enquanto isso, o governo conservador de Stephen Harper – espécie de George W.Busch com um sotaque canadense – está atualmente ajudando a Vale a fazer isso para os seus amigos cidadãos, com um empréstimo governamental de $ 1 bilhão, que a Vale está usando para retirar empregos de Thompson. Além disso, o maior investidor institucional na Vale é Backrock, uma firma de investimento que sucessivamente tem por muitas vezes baldeado bancos... incluindo Bank of America.

Então isso é sobre uma coisa e somente uma coisa: matar o contrato social do Canadá. Vale e o governo Harper não querem um futuro onde o Brasil gradualmente se torne mais como o Canadá. Em vez disso, eles querem um futuro onde o Canadá se torne o Brasil. E não simplesmente o Canadá: o plano da corporação é que o Terceiro Mundo se torne o Único Mundo.

É por isso que as pessoas em todo lugar precisam apoias Thompson. Como Niki Ashton --a MP que representa Thompson e a segunda mais nova mulher eleita para o Parlamento canadenses – diz:

“Foi Flint ontem, somos Nós e Wisconsin Hoje, e Amanhã serão Todos.”

E é por isso que eu me orgulho de destacar Ashton e vozes das gentes de Thompson no mue website. E é por isso que eu estou lhe pedindo para ver seu poderoso vídeo, ouvir suas histórias e dividí-los com todos que conhece.

Pessoas normais através do mundo estão levantando agora e dizendo “Não!” para o futuro que eles planejaram para nós. Nós ganhamos no Egito. Nós estamos acordando e lutando atrás através os

Estados Unidos. Todos levantemos com Thompson e façamos aqui o lugar onde nós viramos o curso dessa terrível guerra. Como Kamal Abbas, um dos mais importantes líderes, disse numa mensagem de vídeo para Wisconsin: “Nós levantamos com vocês, como vocês levantaram conosco.”

(Confidencial ao povo de Thompson: nós não estamos dizendo aos americanos somente nos ajudar se vocês prometerem nos apresentar para Justin Bieber. Nós estamos simplesmente dizendo, você sabe; não podia ferir).

Why I Support the People of Thompson, Canada -- And You Should Too

http://www.michaelmoore.com/words/mike-friends-blog/why-i-support-people-of-thompson-canada

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Preços de combustíveis: apenas uma pequena peça da destruição setorial

Por José Sérgio Gabrielli Será que o presidente Bolsonaro resolveu dar uma reviravolta na sua política privatista e voltada para o mercado, intervindo na direção da Petrobras, demitindo seu presidente, muito ligado ao Ministro Guedes e defensor de uma política de mercado para privatização acelerada e preços internacionais instantâneos na companhia? Ninguém sabe, mas que a demissão do Castello Branco não é uma coisa trivial, com certeza não é. A ação de Bolsonaro, na prática, questiona alguns princípios fundamentais da ideologia ultraneoliberal que vinha seguindo, como o respeito à governança das empresas com ações negociadas nas bolsas, a primazia do privado sobre o estatal e o abandono de intervenções governamentais em assuntos diretamente produtivos. Tirar o presidente da Petrobras, por discordar da política de preços, ameaça o programa de privatizações, pois afasta potenciais compradores de refinarias e tem um enorme efeito sobre o comportamento especulativo com as ações da Petrob...

O mundo como fábula, como perversidade e como possibilidade: Introdução geral do livro "Por uma outra globalização" de Milton Santos

Por Milton Santos Vivemos num mundo confuso e confusamente percebido. Haveria nisto um paradoxo pedindo uma explicação? De um lado, é abusivamente mencionado o extraordinário progresso das ciências e das técnicas, das quais um dos frutos são os novos materiais artificiais que autorizam a precisão e a intencionalidade. De outro lado, há, também, referência obrigatória à aceleração contemporânea e todas as vertigens que cria, a começar pela própria velocidade. Todos esses, porém, são dados de um mun­do físico fabricado pelo homem, cuja utilização, aliás, permite que o mundo se torne esse mundo confuso e confusamente percebido. Explicações mecanicistas são, todavia, insuficientes. É a maneira como, sobre essa base material, se produz a história humana que é a verdadeira responsável pela criação da torre de babel em que vive a nossa era globalizada. Quando tudo permite imaginar que se tornou possível a criação de um mundo veraz, o que é imposto aos espíritos é um mundo de fabulações, q...

Por uma mídia que ouse ser ética

Por Mariana Martins , no Observatório do Direito à Comunicação: Mais uma vez o que me motiva a sair da inércia para escrever é a nossa mídia, aquela mesma de sempre, ávida pelo lucro e cheia de vaidades. A mídia não é um ser inanimado, ela é feita de pessoas. A mídia é feita, principalmente, de jornalistas que devem receber uma formação para saber, antes de tudo, o que é notícia e o que é espetacularização . Jornalistas que devem sempre optar pela notícia. É uma pena que, em todas as tragédias, nós tenhamos péssimos exemplos da nossa imprensa. As coberturas são traumáticas. A grande maioria tenta logo de saída fazer das tragédias grandes espetáculos. Procuram por parentes, procuram por vítimas, procuram por testemunhas. Pessoas que, por tão intensamente envolvidas, podem não querer colocar mais uma vez o dedo na ferida. Pessoas que estão tendo que prestar depoimentos na polícia e assim por diante. (Esse tipo de fonte deve ser usada com muita cautela e parcimônia; eu diria que em do...