quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Sobre as campanhas difamatórias que circulam na internet

Caro Joaquim,

Não concordo com esse tipo de campanha baixa. Além de reacionária, é revanchista. Campanhas que generalizam não faz bem para a democracia e nem para o País, pois incentiva a intolerância e o revide. Não constrói. Além disso precisamos, acima de tudo, olhar para a frente.

Pelo que sei, Lula jamais participou de alguma organização de esquerda, muito menos de ações de guerrilha. Foi um sindicalista, jamais se denominou comunista ou marxista. Na presidência ele é o que sempre foi. Sem tirar, nem por. Talvez um pouco lapidado, com mais informações e ternos bem cortados.

Há tempo que recebo material pela internet como esse tipo de campanha. Em geral mando para a lixeira sem abrir. Depois esvazio-a. Mas vindo de você não faria essa indelicadeza. Já me deparei com material falso ou com meias verdades. Esse possivelmente não é o caso, mas definitivamente não gostei. Simplesmente acho que não faz bem !!

Fica a pergunta: a quem interessa ?

Além de tudo devemos olhar para a frente. Quando questionaram Prestes sobre a Lei da Anistia, assim que desembarcou no Brasil, ele disse: "Anistia deve ser geral, e para os dois lados. Foi uma guerra, muitos dos nossos morreram. Mas também, matamos. Não fizemos mais porque o outro lado era muito mais forte e nós não tinhamos os mesmos recursos deles..."

Não que tenho uma posição definitiva sobre o regime militar, mas cada vez mais tenho a convicção que também foi ruim para o desenvolvimento do Brasil. Eles deformaram os sonhos de muitos brasileiros... Deformações no serviço público, que depois foram aperfeiçoadas após a abertura, nasceram na excessão.

A Construção Interrompida, foi o livro de lamento de Celso Furtado.

Não sou revanchista, mas sou a favor da abertura dos arquivos da ditadura, pois é importante que a sociedade brasileira se encontre com sua história e conheça as atrocidades do periodo de excessão, para que isso não mais se repita. Quando vejo que se corria atrás de livros, proibindo-os, destruiam bibliotecas, fechavam faculdades... Não dá para acreditar. Além disso, não se nega o direito da uma mãe ou a um pai em saber a verdade sobre seu filho.

Mas, acima de tudo, deve-se fazer todos os esforços para criar mecanismos de controle para que o episódio de 1964, jamais volte a ocorrer neste País. Não sei quais os mecanismos, mas um exemplo é incluir Cláusulas Pétria na Constituição Federal que deslegitem qualquer governo de excessão, etc... Mas acho que não podemos valorizar esse tipo de informação que circula na internet.

O que se espera de pessoas críticas e com capacidade de reflexão, que pondere os fatos, que põem as claras as intenções de pessoas ou grupos que se dedicam dissiminar esse tipo de informação. Não me refiro a você, caro Joaquim, uma pessoa de bem e um brasileiro com "B" maiúsculo.

Veja o modus operandi sobre alguns dos ex-presidentes: Todos nós ficamos chocados com as revelações sobre as atividades da Fundação José Sarney. Eu reprovo categoricamente esses desvios!

Sarney, ao deixar a Presidência desejou que os objetos e documentos pessoais recebidos em seu governo (sic) fossem expostos à visitação da população, um ato louvável (embora estive algumas vez em São Luiz e não me senti motivado a visitar o Convento, sede da fundação Sarney, por entender que seu governo foi pouco relevante para o País. Talvez a hiostória revele o contrário, comparando com os governos no futuros).

Tenho dúvida se sua motivação foi um ato nobre, ou mais um jogo da política local. Essa não é a discussão. Mas o fato de ser uma FUNDAÇÃO, pressupôe em LEI a fiscalização do MINISTÉRIO PÚBLICO, que é o curador da Fundações. Portanto, há algum controle. Possivelmente os descaminhos apurados na fundação deveu-se a isso.

Já, Fernando Henrique Cardoso, decidiu criar um instituto.
Porque? Porque ninguém fiscaliza um Instituto Privado. Simples assim...

Há descaminhos em seu Instituto?

Pode ser que sim, pode ser que não... Mas o fato é que o MINISTÉRIO PÚBLICO NÃO TEM ATRIBUIÇÕES LEGAIS PARA SER O CURADOR DO INSTITUTO DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA, E PORTANTO FISCALIZÁ-LO.
Mas de onde vieram as doações em dinheiro do iFHC??? (não é brincadeira, é assim mesmo que se escreve, o "i" de instituto quase não aparece)...

Dizem que nos jantares para arrecadar os recursos (eu não participei de nenhum deles), lá pelas tantas, um dos aceclas de FHC pediu as doações... Ninguém entendeu muito bem, o governo estava no fim... Mas um dos "empresários" prontamente retirou o talão de cheque do bolso e preencheu uma folha com um valor próximo à R$ 3.000.000,00. Os demais, meio constrangidos, também fizeram suas "doações"...

Há alguma relação entre as doações ao Instituto FHC e os empresários beneficiados pelo processo de privatização?

De onde veio o dinheiro que FHC utilizou para comprar a cobertura do banqueiro Safra? E seu "pequeno apartamento" em Paris?

Aqui não estou acusanmdo ninguem, mas entendo que é preciso haver esclarecimentos para a sociedade. Mas, quem fiscaliza?

Tenho receio que muitas dessas propagandas estão a serviço desse tipo de gente e aí meu senso crítico e minhas informações não me permitem fazer coro. Não defendo nenhum dos citados acima, mas é preciso que as informações sejam bom postas... O que interessa hoje, é que esses pessoas são, para o bem e para o mal. O passado, foi resolvido pela Lei da Anistia e pela conciência de cada um.

Agora se a pessoa entende que qualquer tipo de ação, ou qualquer meio para atingir seus objetivos, ainda cabe nos dias de hoje, é outra coisa.

Particularmente, lamento a escolha de LULA.

Já a escolha de DILMA foi amplamente documentada pela reportagem de grande jornalista Raimundo Pereira, com o título sugestivo de "A ESCOLHA DE DILMA". Um abraço.

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